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Os impactos da decisão da UE de barrar a carne brasileira

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13/05/2026 08h24 Atualizado 13/05/2026

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano.

A decisão não tem um impacto imediato, pois entra em vigor em 3 de setembro. No momento não há qualquer proibição em vigor, e o Brasil continua exportando carne e outros produtos de origem animal para a UE.

Se não for revertida até a data limite, a decisão significaria uma perda anual de cerca de 1,8 bilhão de dólares para os exportadores brasileiros.

A UE não reclamou que a carne brasileira esteja contaminada. O bloco europeu afirmou ter adotado a medida porque o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil

O governo do Brasil se declarou surpreso com a retirada do país da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia, anunciada nesta terça-feira (12/05).

Os ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento afirmaram que vão tomar todas as medidas necessárias para reverter essa decisão.

Já o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, declarou que vai buscar esclarecimentos já nesta quarta-feira, numa reunião com autoridades da União Europeia da área de saúde animal.

A decisão da UE não tem um impacto imediato, pois entra em vigor em 3 de setembro. No momento não há qualquer proibição em vigor, e o Brasil continua exportando carne e outros produtos de origem animal para a UE.

Se não for revertida até a data limite, a decisão significaria uma perda anual de cerca de 1,8 bilhão de dólares para os exportadores brasileiros, segundo números do Ministério da Agricultura.

Isso não significa que haveria uma queda no preço das carnes para os brasileiros, pois os exportadores podem redirecionar a carne destinada à exportação para um outro país – a UE não é nem de longe o principal destino.

Além da carne bovina, o principal produto de origem animal que o Brasil exporta para a UE, a medida pode afetar exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e produtos derivados de origem animal.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a União Europeia foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira em 2025, com 128,9 mil toneladas, num valor total de 1,06 bilhão de dólares. Quase metade do que o Brasil exporta vai para a China, e o segundo maior comprador são os Estados Unidos.

Em 2025, a China respondeu por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram 8,90 bilhões de dólares. Em seguida vêm os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e 1,64 bilhão de dólares.

Já na carne de frango, a União Europeia foi apenas o oitavo maior comprador em 2025, com 233 mil toneladas exportadas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), num total de 302 milhões de dólares. O ranking é liderado pelos Emirados Árabes Unidos, que importaram 479,9 mil toneladas.

A UE é o décimo destino de ovos brasileiros, com 301 toneladas, segundo a ABPA. Apenas 1% da produção brasileira de ovos é destinada ao exterior.

A questão é regulatória e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

A UE considera que o Brasil ainda não demonstrou de forma suficiente que essas substâncias deixaram de ser usadas ao longo de toda a cadeia produtiva animal destinada à exportação.

O que são os antimicrobianos de que a UE reclama?

Antimicrobianos são medicamentos usados para combater microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Na pecuária, essas substâncias podem servir tanto para tratar doenças quanto para estimular o crescimento dos animais e aumentar a produtividade.

A União Europeia proíbe especialmente o uso de antimicrobianos que também são importantes para tratamentos médicos em humanos. O objetivo é evitar a chamada resistência antimicrobiana, situação em que bactérias passam a resistir aos medicamentos.

Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

Sim, para voltar à lista de países autorizados a exportar para a UE, “o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados”, afirmou uma porta-voz da Comissão Europeia à agência de notícias Lusa.

“Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações”, disse. Ela acrescentou que a Comissão Europeia tem colaborado estreitamente com as autoridades brasileiras sobre essa questão.

O Brasil tem dois caminhos para reverter a situação: ampliar as restrições legais aos medicamentos restantes ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam essas substâncias.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

A ABPA comunicou que o Brasil já cumpre todos os requisitos da União Europeia, inclusive os sobre antimicrobianos, e que vai demonstrar isso às autoridades sanitárias europeias.

Já a Abiec afirmou que a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, “com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

A UE já proibiu a carne brasileira antes?

Sim, várias vezes. Em 2008, por exemplo, a UE decretou um embargo à carne bovina, alegando que o Brasil havia deixado de introduzir medidas mais rigorosas relativas à segurança de alimentos.

Em 2017, a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, provocou turbulências no mercado interno e de exportação de carne. A UE e vários países impuseram restrições parciais ou totais às importações do produto.

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