Café agroecológico ganha espaço no ES com produção sustentável e grãos com mais sabor

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17/05/2026 04h01 Atualizado 17/05/2026

O café agroecológico vem ganhando espaço no Espírito Santo ao aliar sustentabilidade, conforto térmico e alto valor agregado no mercado.

Nesse sistema, conhecido como agroflorestal, o café cresce sob a proteção de outras espécies vegetais, o que influencia diretamente na qualidade do grão.

O produtor Dieimes Bohry cultiva cerca de 700 pés de café conilon nesse modelo em uma propriedade em Vila Valério.

O cultivo segue um calendário dividido em duas etapas. Entre dezembro e abril, período mais quente, as árvores formam uma cobertura que protege os grãos.

Já entre maio e agosto, com temperaturas mais amenas, ocorre a colheita, fase em que as árvores passam por poda.

Cultivo de café entre árvores nativas garante sustentabilidade e grãos com mais sabor

Um cafezal cultivado em meio à Mata Atlântica, com sombra de árvores nativas, manejo orgânico do solo e foco na qualidade da bebida. Esse é o modelo do café agroecológico, que vem ganhando espaço no Espírito Santo ao aliar sustentabilidade, conforto térmico para as plantas e alto valor agregado no mercado.

O produtor Dieimes Bohry cultiva cerca de 700 pés de café conilon nesse modelo em uma propriedade em Vila Valério, no Norte do estado, e pontua os benefícios.

“O café demora um pouco mais a amadurecer porque a planta está na sombra. Isso traz um conforto térmico melhor e, com mais tempo no pé, há maior acúmulo de açúcar no grão”, explicou.

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Sombra e manejo natural favorecem produção

O cultivo segue um calendário dividido em duas etapas. Entre dezembro e abril, período mais quente, as copas das árvores formam uma cobertura verde que protege os cafezais do sol intenso e das chuvas fortes.

Além da sombra, o sistema agroecológico aposta na adubação orgânica.

“Nosso solo é adubado com esterco de animais e com a própria poda das árvores. Essa matéria orgânica enriquece o solo, de onde o café retira os nutrientes que precisa”, disse Bohry.

Após a colheita, o café passa por etapas rigorosas de seleção. Os grãos são lavados para eliminar impurezas e separar os que boiam, considerados de menor qualidade.

Em seguida, são secos em terreiros suspensos, passam por nova triagem e seguem para descascamento e torra.

Todo o processo conta com acompanhamento técnico do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Amostras são enviadas para análise em laboratório, onde são avaliadas características físicas, além de sabor e aroma da bebida.

Segundo o técnico agrícola Tássio Sousa, os resultados têm sido positivos.

“A forma de manejo e o cuidado no pós-colheita estão resultando em cafés de excelente qualidade, que têm potencial para se destacar no mercado”, afirmou.

O café conilon produzido em sistema agroflorestal pode alcançar preços até quatro vezes superiores aos do cultivo convencional. Esse diferencial tem incentivado produtores a investir no modelo.

A agricultora Luciene Pessin é mais um exemplo de quem aposta nesse mercado.

“O café especial é diferenciado desde o plantio. Quando chega à xícara, o consumidor está disposto a pagar mais pela qualidade”, disse.

Além do retorno financeiro, o sistema também contribui para a preservação ambiental.

“A ideia da agrofloresta é não agredir o meio ambiente, preservar árvores nativas e gerar produtos de alto valor agregado. No nosso caso, o café especial agroecológico realmente vale a pena cultivar”, destacou Bohry.

Maior produtor de café conilon do Brasil, o Espírito Santo responde por cerca de 70% da produção nacional. A cultura representa 38% do PIB agrícola do estado.

Atualmente, são cerca de 286 mil hectares plantados, distribuídos em 49 mil propriedades rurais em 68 municípios. Entre os maiores produtores estão Linhares, Rio Bananal, Jaguaré, Vila Valério e Nova Venécia.

A colheita de 2026 está prevista para começar em agosto.

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