Por Beatriz Jacomini, g1 Ribeirão Preto e Franca
02/05/2026 13h49 Atualizado 02/05/2026
Casal de produtores de lúpulo de Araraquara (SP) descobriu água com gás sem álcool e com sabor de cerveja enquanto testavam receitas.
A bebida foi lançada na Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola que aconteceu esta semana em Ribeirão Preto (SP).
Luciana Pereira e Isidro Pontes começaram a produzir lúpulo de forma experimental há quatro anos, no quintal da chácara em que moram no interior de São Paulo.
Após degustações bem sucedidas em 2025, o casal decidiu lançar a bebida enlatada com a aposta de alcançar público preocupado com saúde e bem-estar.
Casal produz água com gás ‘sabor cerveja’ no interior de São Paulo
Uma água com gás sem álcool e com sabor de cerveja foi uma das atrações da Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola que aconteceu esta semana em Ribeirão Preto (SP).
A bebida, lançada oficialmente no evento, foi descoberta por um acaso pelo casal de produtores de lúpulo Luciana Pereira e Isidro Pontes, de Araraquara (SP), enquanto testavam receitas com os cones de lúpulo para tentar fazer sorvete.
“Eu sabia que o lúpulo tinha em shampoo, perfume e outras coisas. Eu estava mirando em fazer sorvete e todos os dias eu chegava em casa, pegava o meu lúpulo e fazia receitas, até que cheguei em uma formulação perfeita da água saborizada”, afirma Luciana.
O casal começou a produzir lúpulo de forma experimental há quatro anos, no quintal da chácara em que moram no interior de São Paulo, com a ajuda de um tio de Luciana, que é fitoterapeuta.
Aos poucos, com as dificuldades da cultura, geralmente inviável para as condições climáticas do Brasil, o conhecimento sobre o assunto foi aumentando.
“A gente estava quase desistindo. Foi quando um engenheiro agrônomo especialista nos ajudou e apoio, para continuarmos as pesquisas”, diz Isidro.
Mas ter a plantação não era suficiente, e Luciana e Isidro começaram a buscar formas de escalar a produção para entrar no radar do mercado cervejeiro, não só para cervejeiros artesanais, mas também para grandes empresas.
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Com o tempo, o casal percebeu que, para competir com lúpulos importados, era necessário se atentar a questões fitossanitárias da planta, geralmente produzida em clima temperado, além de detalhes sobre o beneficiamento do produto final. Tanto que a maior parte utilizada pelas cervejarias brasileiras ainda é importada do hemisfério norte.
“A industrialização do lúpulo é extremamente delicada e de uma exigência química cirúrgica”, diz Luciana.
Com a planta se desenvolvendo no quintal da chácara, Luciana e Isidro decidiram não ficar parados e começaram a buscar formas inovadoras de utilizar os pellets.
Até que, há um ano, durante alguns testes, descobriram que a matéria-prima que tinham nas mãos não só seria ótima para a produção de cervejas, como também de uma água saborizada fácil de beber – a chamada “drinkability” – que agrega todo o aroma e o frescor da plantação deles.
“O lúpulo utilizado para produzir esse lote vendido na feira foi colhido em março, ao contrário dos pallets importados que foram colhidos há dois ou três anos. A gente não briga com a indústria consagrada de importação da planta, com a água lupulada a gente quer entrar pra aprender”, afirma Luciana.
Após degustações bem sucedidas em 2025, o casal decidiu lançar a bebida enlatada na Agrishow deste ano, com a aposta de alcançar um público ao mesmo tempo preocupado com saúde e bem-estar e apaixonado por cerveja. “É uma novidade que sai da mesmice do mercado”, diz Isidro.
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